“Você está com dificuldade de concentração! Deve ter deficit de atenção! Por que não toma remédio?”
Muita gente já deve ter ouvido essa pergunta dos professores, amigos e até mesmo dos pais. Será que não existe um exagero nessa onda de medicar tudo aquilo que a gente sente?
Nas últimas décadas, a indústria e a ciência desenvolveram remédios mais eficazes e com menos efeitos desagradáveis para tratar ansiedade, depressão e deficit de atenção, entre outras manifestações psíquicas. Isso é muito bom: tratamento mais eficiente e seguro para quem precisa.
Mas essa evolução teve um efeito colateral social. Muita gente que talvez não precisasse acabou ganhando uma prescrição.
Tristezas, inseguranças, ansiedades e inquietações, que são normais na vida de qualquer um, passaram a ser mais facilmente medicadas, tirando um pouco nossa responsabilidade de resolver conflitos pessoais.
Assim, por exemplo, um final de namoro pode ganhar a ajudinha extra de um antidepressivo.
Com a atenção e a concentração, o uso de remédio de forma exagerada talvez seja a questão que mais chama a atenção dos especialistas. Parece que o remédio (Ritalina, por exemplo) virou uma “tábua de salvação” para muito aluno que não vai bem na escola.
Mas há problemas! Um remédio como esse (que é um derivado de anfetamina) pode causar dependência.
Ele deve ser usado por quem precisa e não por quem está atravessando uma fase de mais inquietação e menos atenção. Será que essas manifestações não são típicas da idade?
Antes de pensar em tomar remédio, que tal checar como andam suas emoções, seu sono e a vontade de sentar na cadeira e estudar? Como parte de nosso crescimento, a gente tem que aprender a lidar com nossos conflitos e emoções nem sempre agradáveis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário